Ainda o Mundial não começou e já se joga uma espécie de final diária à porta das tabacarias em busca das carteirinhas de cromos. É tal o entusiasmo pelos ases da bola que a papelaria Riyadh, em Cascais, já vendeu pelo menos 22 mil carteirinhas cada uma com sete cromos. Muitos colecionadores já completaram equipas inteiras e enfrentam agora um problema inesperado: acumulam os cromos em pilhas organizadas enquanto não chega a tão desejada caderneta para os colar.
Se mais cromos e cadernetas tivesse mais a Riyadh vendia. “A procura supera a oferta”, diz o proprietário, Nuno Baleia. É tanta a agitação à volta dos cromos da bola que a VASP, empresa que tem o exclusivo da distribuição em Portugal, não dá conta do recado: Faltam ‘figurinhas’ e cadernetas aos balcões das tabacarias e dos quiosques.
A Vasp, aproveitando-se da crescente febre dos cromos, encontrou uma maneira engenhosa de marcar golos sem entrar em campo – uma jogada aparentemente faltosa que já está a ser analisada ao pormenor pela ASAE, a ‘polícia’ da segurança alimentar e económica. A gigante da distribuição alterou as regras do jogo e está a engordar com o negócio dos cromos à custa da margem de lucro aos retalhistas. Nuno Baleia que o diga.
A tabacaria Ryadh aguarda pela encomenda de 50 caixas de cromos, num total de 2.500 carteiras, feita há um mês através do portal eletrónico a que os clientes da Vasp têm acesso. Preço: 50,50 euros a caixa. Como a remessa tardava, Nuno Baleia recorreu à ‘loja online’ no mesmo portal. A diferença é que, por aqui, o pagamento é imediato. Comprou 30 caixas, cada uma pelos mesmos 50,50 euros. Dois dias depois, nova encomenda online. O preço já tinha aumentado para 53, 35 euros.
“Há aqui qualquer coisa errada. A Vasp não responde às encomendas pela via habitual que não obriga os comerciantes ao pagamento imediato. Diz que não tem ‘stock’ disponível. Mas, pelos vistos, tem cromos em ‘stock’ reservados exclusivamente para compras online que são liquidadas no momento. Ainda por cima, aumentou o preço no pico da procura”, diz Nuno Baleia. Indignado com a jogada da Vasp, apresentou queixa na ASAE contra a distribuidora que, lá por ter o domínio total do mercado, não pode fazer tudo o que lhe apetece.
O aumento do preço não se repercute, neste caso, no valor final pago pelos clientes. As saquetas com sete cromos vêm tabeladas pela Panini, a empresa italiana que tem o exclusivo da edição dos cromos em todo o mundo. Cada saqueta com sete cromos custa 1,50 euros – e o preço vem marcado na embalagem.
A Vasp engorda à custa da margem de lucro dos comerciantes – que passou, sem aviso prévio, de 17 para 12,5 por cento.
A ver o que diz a ASAE sobre a entrada a pés juntos da Vasp.

















