O Corredor do Lobito acaba de alcançar um dos momentos mais relevantes desde o lançamento da iniciativa, graças a dois desenvolvimentos considerados decisivos para a sua concretização. Por um lado, a República Democrática do Congo aprovou a parceria público-privada com a Mota-Engil para a reabilitação da linha ferroviária entre Dilolo, Kolwezi, Lubumbashi e Sakania. Por outro, foi assegurado o fecho financeiro de 753 milhões de dólares destinados à modernização da componente angolana do projeto.

O financiamento será garantido pela Africa Finance Corporation (AFC), pela norte-americana Development Finance Corporation (DFC) e pelo Development Bank of Southern Africa (DBSA), permitindo acelerar a modernização dos cerca de mil e 300 quilómetros do Caminho-de-Ferro de Benguela, explorado pelo consórcio Lobito Atlantic Railway, liderado pela Mota-Engil.

A entrada da DFC assume especial significado, por representar o primeiro investimento financeiro concreto dos Estados Unidos no Corredor do Lobito, transformando o apoio político de Washington num compromisso efetivo.

Na RDC, a recuperação da ligação ferroviária ao Copperbelt elimina um dos principais estrangulamentos do corredor, criando uma ligação contínua entre uma das maiores regiões produtoras mundiais de cobre e cobalto e o Porto do Lobito. Segundo os promotores, a nova infraestrutura permitirá reduzir o tempo de transporte para cerca de sete dias, aumentar gradualmente a capacidade para 4,6 milhões de toneladas anuais e baixar os custos logísticos em cerca de 30 por cento.

Apesar do avanço, permanecem algumas incógnitas, nomeadamente quanto ao investimento total da parceria na RDC, ao calendário definitivo das obras, à articulação com a empresa estatal SNCC e aos desafios associados ao reassentamento de populações e à coordenação aduaneira entre os países envolvidos.