A China deu mais um passo na ambição de disputar o lucrativo mercado mundial da aviação comercial. O C919, desenvolvido pela Commercial Aircraft Corporation of China (Comac), realizou o seu primeiro voo comercial internacional, reforçando as expectativas em torno de um avião que Pequim pretende transformar num concorrente direto do Airbus A320 e do Boeing 737.

A entrada da China neste mercado tem uma dimensão que ultrapassa largamente a indústria aeronáutica. Airbus e Boeing dominam há décadas o segmento dos aviões comerciais de corredor único, utilizado em grande parte das ligações de curto e médio curso realizadas em todo o mundo. O C919 pretende quebrar esse duopólio e reduzir simultaneamente a dependência chinesa dos dois fabricantes ocidentais.

O caminho para a internacionalização está, contudo, longe de concluído. O aparelho ainda não recebeu certificação das autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos e da Europa, condição essencial para poder conquistar encomendas significativas fora da China. Ainda assim, o primeiro voo comercial internacional representa um importante cartão de visita para a indústria aeronáutica chinesa e mais um sinal da crescente competição tecnológica entre Pequim e o Ocidente.