A China deu mais um passo na corrida pela liderança mundial da inteligência artificial (IA). O presidente Xi Jinping anunciou a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), uma nova entidade internacional destinada a promover a cooperação tecnológica e a reforçar a influência de Pequim na definição das regras globais para o desenvolvimento da IA.

Com sede em Xangai, cidade que a China pretende transformar na capital mundial da inteligência artificial, a Waico nasce com o apoio de 30 países, entre os quais o Brasil, a Rússia e a Indonésia. Em contrapartida, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Índia optaram por não integrar a iniciativa, evidenciando a crescente divisão geopolítica em torno das tecnologias emergentes.

Xi Jinping defendeu uma inteligência artificial "aberta e inclusiva", alertando para os riscos de concentração do setor nas mãos de um número reduzido de potências. O líder chinês anunciou ainda um programa de cinco mil ações de formação e seminários destinados a países em desenvolvimento ao longo dos próximos cinco anos, ao mesmo tempo que apelou à criação de mecanismos que garantam a supervisão humana dos sistemas autónomos.

O lançamento da Waico surge num momento de forte tensão tecnológica entre a China e o Ocidente. Nos últimos meses, os Estados Unidos e a União Europeia reforçaram as restrições às exportações e importações de tecnologia chinesa, invocando preocupações de segurança nacional. Apesar dessas limitações, a indústria chinesa continua a crescer a um ritmo acelerado: o consumo diário de ‘tokens’ multiplicou-se por mil nos últimos dois anos e o mercado da IA, avaliado em cerca de 1,2 biliões de yuans em 2025, deverá crescer mais de 30 por cento este ano.