O governo italiano, que controla quase 90 por cento dos estaleiros Fincantieri, propôs ao Brasil, em 2019, a compra de duas fragatas iguais às que Portugal viria a adquirir. Mas Bolsonaro, então recém-eleito, recusou. O problema era o preço: cada navio custava cerca de 1,5 mil milhões de euros. O negócio só seria possível se a Itália aceitasse financiar a compra a longo prazo – e o pagamento em suaves prestações.
Sete anos depois de o negócio ter ido ao fundo, apareceu Portugal interessado nas mesmas fragatas da classe FREMM. Ao Brasil, a Itália queria vender cada navio por 1,5 mil milhões de euros. A Portugal acabou por fazer um desconto: três por 3,9 mil milhões. Uma espécie de promoção naval – leve três e poupe 600 milhões. Nuno Melo não resistiu.
Portugal paga a pronto aos italianos. Mas através de um empréstimo concedido pelo fundo europeu de defesa que vamos ter de liquidar até ao último cêntimo. Nem o facto de o negócio envolver 3,9 mil milhões de euros do dinheiro dos contribuintes demove o ministro de explicar as dúvidas que já envolver o negócio.
Nuno Melo não explica por que razão a empresa portuguesa NTG, que há oito anos representa o grupo italiano Fincantieri em Portugal, foi afastada do negócio precisamente nas vésperas da assinatura do acordo para a compra das três fragatas – e, principalmente, o que aconteceu à comissão de cerca de 90 milhões de euros.
Também guarda no cofre dos segredos de Estado informação essencial sobre os equipamentos das fragatas – e se o preço acordado inclui helicópteros.

















