O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, veio a público esclarecer os contornos da nomeação de Francisco Carvalho para primeiro-ministro, garantindo que a decisão respeitou integralmente a Constituição e foi tomada antes de o chefe do governo ter sido formalmente acusado pelo Ministério Público, apesar de já possuir o estatuto de arguido.

Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV),  José Maria Neves sublinhou que Francisco Carvalho mantém plena legitimidade política e institucional para exercer funções enquanto o processo judicial decorrer e até existir uma decisão transitada em julgado.

O presidente cabo-verdiano recordou ainda que a escolha do primeiro-ministro resultou da indigitação feita pelo PAICV, na sequência dos resultados eleitorais e após a audição de todas as forças políticas com assento parlamentar, e lembrou que o MpD, principal partido da oposição, não levantou qualquer objeção à nomeação, tendo apenas a UCID manifestado reservas.

O Presidente aproveitou ainda para esclarecer que o modelo constitucional cabo-verdiano não atribui ao chefe de Estado poderes discricionários para demitir um primeiro-ministro por sua iniciativa, mesmo perante um eventual cenário de crise institucional, distinguindo assim o sistema político de Cabo Verde de outros regimes semipresidenciais, como o português.