A rede pública de Almada perdeu cerca de 4,7 mil milhões de litros de água em 2024, o equivalente ao consumo da Costa de Caparica durante, aproximadamente, seis anos e meio, segundo dados divulgados pelo Expresso.

As perdas nas condutas atingiram 33,4%, um valor bastante acima da média nacional, situada nos 26%. Especialistas ouvidos pelo jornal consideram que o problema resulta de anos de investimento insuficiente e de falhas na gestão da rede.

Diogo Faria de Oliveira, membro do Conselho Nacional da Água e presidente do conselho consultivo da ERSAR, defendeu que "o desperdício, a má gestão e a ineficiência dos sistemas de abastecimento não podem ser vistos como inevitáveis".

O investimento na renovação da infraestrutura terá ficado pelos 0,36%, muito abaixo dos 1,5% a 2% recomendados para garantir a manutenção adequada da rede.

A abertura recente de novos furos, apresentada como resposta à crise no abastecimento, é descrita por especialistas como uma solução temporária. Estes equipamentos terão servido sobretudo para substituir captações que deixaram de funcionar, mantendo-se dezenas de furos inativos.

Ao mesmo tempo, continuam a registar-se cortes de água durante a noite e vários depósitos permanecem abaixo dos níveis habituais.

A solução estrutural anunciada pelo Governo passa por ligar a Margem Sul à água da albufeira de Castelo do Bode, através da EPAL, e por criar um sistema intermunicipal envolvendo nove concelhos.

O projeto, porém, dificilmente estará concluído antes de 2028 e enfrenta dificuldades políticas, nomeadamente devido às divergências entre Almada e o Seixal sobre a gestão do aquífero comum.