O Movimento para a Democracia (MpD), principal partido da oposição em Cabo Verde, defendeu a demissão do primeiro-ministro, Francisco Carvalho, apenas um mês depois de este ter tomado posse, na sequência da acusação formal deduzida pelo Ministério Público por alegados crimes praticados enquanto presidia à Câmara Municipal da Praia. Francisco Carvalho foi nomeado chefe do Governo pelo Presidente da República em 19 de junho, após a vitória do PAICV nas eleições legislativas de maio.

Segundo a acusação, o primeiro-ministro responde por 26 crimes, entre os quais falsificação de documentos, abuso de poder, peculato, recebimento indevido de vantagem, violação de normas de execução orçamental, atentado contra o Estado de Direito, burla qualificada e corrupção passiva. O processo envolve ainda outros arguidos e um total de 107 crimes imputados pelo Ministério Público.

Após uma audiência com o Presidente da República, José Maria Neves, o líder interino do MpD, Eurico Monteiro, defendeu que Francisco Carvalho deve abandonar o cargo, sendo substituído por outro nome da maioria parlamentar, sem necessidade de eleições antecipadas. O partido considera que a permanência do chefe do Governo compromete a credibilidade das instituições, embora sublinhe respeitar o princípio da presunção de inocência. O PAICV e o Governo sustentam, por seu lado, que o processo deve seguir exclusivamente o seu curso na justiça.