Angola terá de modernizar profundamente a produção de café para garantir o acesso aos mercados internacionais, sobretudo ao europeu. As novas regras de comercialização obrigam o país a reforçar a fiscalização das condições de trabalho, respeitar os direitos humanos e assegurar maior transparência em toda a cadeia produtiva.

O ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, alertou que o café produzido com recurso a mão-de-obra mal remunerada, sem condições de habitabilidade ou através de práticas consideradas abusivas poderá enfrentar dificuldades crescentes nos mercados externos. As exigências não decorrem apenas das normas adoptadas pelos países importadores, mas também da pressão exercida por organizações da sociedade civil.

O Governo pretende reduzir a dependência de trabalhadores sazonais vindos de outras regiões e promover uma participação mais activa das famílias rurais na produção. A mecanização das explorações é outra das prioridades, com o objectivo de aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e permitir que Angola concorra em condições mais favoráveis.

A estratégia inclui ainda a diversificação agrícola, combinando o café com culturas como milho, soja e gengibre. O desafio passa por construir uma cadeia moderna, sustentável e capaz de cumprir as exigências dos consumidores internacionais.