Augusto Santos Silva criticou duramente a decisão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) de retirar a Oliveira Salazar o título de doutor honoris causa, concedido em 1941. Numa publicação no Facebook, o antigo presidente da Assembleia da República classificou a iniciativa como "ridícula e perigosa".

"Acho ridícula esta tentação de fazer revisões da história por via administrativa", escreveu o socialista, defendendo que instituições, países e cidadãos devem assumir o passado na sua integralidade e retirar dele lições para o presente e o futuro.

Para Santos Silva, a História não deve ser rasurada "às prestações e por conveniência", como se fosse possível corrigi-la ou reinventá-la. O antigo governante questionou ainda as consequências de aceitar um "revisionismo a gosto", evocando o apagamento de Trotsky das fotografias por Estaline.

A crítica estendeu-se a uma comparação com Donald Trump: "O sinal político é oposto, claro, mas a lógica é semelhante" afirmou, sustentando que, no método, a atuação da universidade não se distingue estruturalmente do que o presidente norte-americano e os seus apoiantes procuram fazer.

Santos Silva defendeu que as energias devem concentrar-se nas injustiças do presente. E sublinhou que nenhuma decisão do atual Conselho Universitário pode alterar o facto de a instituição ter atribuído aquela distinção ao ditador português, por razões que descreveu como "puramente políticas".