As federações europeias não irão participar em qualquer competição da FIFA enquanto estiver em discussão o plano de Gianni Infantino para privatizar parte das receitas da Copa do Mundo, anunciou a UEFA. A decisão foi tomada numa reunião de emergência realizada esta quinta‑feira, dia 30.
“Jamais daremos legitimidade a esse modelo”, afirmou a UEFA, liderada por Aleksander Ceferin, de 58 anos, num comunicado firme. O organismo sublinha que as federações europeias estão totalmente alinhadas na rejeição da proposta, que prevê a entrada de investidores privados na estrutura comercial do Mundial.
A UEFA reforça que não aceitará transformar o Mundial num produto financeiro: “Que não haja dúvidas: a UEFA e as suas federações nacionais opor-se-ão a estes planos com absoluta determinação”, declarou a organização.
O plano de Infantino prevê separar as operações comerciais da Campeonato do Mundo, criando um negócio avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, dos quais 20% seriam entregues a investidores privados. Entre os interessados estão a Thrive Capital, ligada a Joshua Kushner, e o banco JP Morgan.
A UEFA rejeita totalmente esta visão: “Nunca legitimaremos esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que lhes foi confiado em nome das próximas gerações”, lê‑se no comunicado.
O organismo europeu considera que a privatização colocaria o futebol nas mãos de interesses financeiros: “Este modelo não tem lugar no futebol mundial”, afirma a UEFA. “O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas de quem tem como principal obrigação maximizar retornos financeiros.”
Infantino pretende levar o plano a votação em meados de setembro, com a participação das 211 federações da FIFA. Para aprovar a proposta, basta‑lhe uma maioria simples. Para conquistar apoios, o presidente da FIFA terá prometido 20 milhões de dólares a cada país membro, alegando que o projeto democratizaria o futebol.
















