Mário Centeno lança esta quarta-feira, dia 7, um duro ataque à política orçamental do Governo de Luís Montenegro e recorre a José Sócrates para sustentar a crítica. Num artigo de opinião no Público, intitulado 'Montenegro destrona Sócrates', o antigo ministro das Finanças considera que o atual Executivo AD está a apresentar um desempenho pior do que o registado durante a governação socialista que antecedeu a crise financeira.
Centeno centra a comparação no ritmo de crescimento da despesa pública face ao da economia. Segundo os números apresentados pelo ex-governador do Banco de Portugal, entre 2024 e 2026 a despesa pública cresceu, em termos nominais, 7,7% ao ano, enquanto o PIB avançou 5,4%, uma diferença de 2,3 pontos percentuais. É, afirma, o maior diferencial entre os vários governos analisados.
É precisamente neste indicador que surge a comparação mais contundente com Sócrates. Entre 2006 e 2009, a despesa aumentou em média 4,4% por ano, perante um crescimento nominal da economia de 2,6%, deixando uma diferença de 1,8 pontos. “Que fez Montenegro? Destronou José Sócrates”, escreve Centeno, acrescentando que, em três anos, a despesa aumentou 25%, contra 19% da economia.
O economista argumenta ainda que esta evolução acontece numa conjuntura muito diferente da enfrentada em 2009. Nessa altura, Portugal estava mergulhado na crise financeira internacional, com a economia a recuar 3,1%, desemprego de 11,7% e défice orçamental de 9,9%. Para 2026, Centeno aponta uma economia a crescer 1,8%, desemprego de 5,9% e um saldo orçamental próximo do equilíbrio.
Centeno acusa, por isso, Montenegro de ter consumido as “almofadas” orçamentais acumuladas anteriormente. Recorda que Portugal apresentou um excedente de 1,2% do PIB em 2023, entretanto eliminado, na sua leitura, por três anos de política expansionista. E alerta que a Administração Central caminha para um défice próximo de 2% do PIB.
O antigo ministro do Governo PS termina com um aviso dirigido ao Executivo de Montenegro e ao Orçamento do Estado para 2027: “Ou corrige a mão, ou o futuro reserva-nos penas mais duras.”

















