Portugal não tem o melhor desempenho económico da Europa, ao contrário do que afirmou o primeiro-ministro Luís Montenegro esta semana na Assembleia da República. Os dados mais recentes da Eurostat, divulgados a 7 de setembro, colocam Portugal em sétimo lugar (empatado com Chipre) no crescimento do PIB entre os 27 Estados-membros da União Europeia, com uma subida de 0,8% no segundo trimestre de 2026.
Montenegro fez a afirmação esta segunda-feira, 8, durante o debate da moção de censura apresentada pelo Chega contra o Governo, motivada pela recusa do primeiro-ministro em demitir o ministro da Administração Interna, Luís Neves. Na abertura do debate, o primeiro-ministro optou por não abordar diretamente o caso do ministro, preferindo destacar os alegados sucessos da sua governação. Acusou os partidos da oposição de estarem "atrelados ao seu tanque de eleições, moções, demissões, comissões, insinuações e chavões", e classificou a moção do Chega como desprovida de "alternativas credíveis" ou de "um novo rumo de governação", resumindo-a a "negativismo, maledicência, espuma política".
Antes de falar da economia, anunciou que "o IRS dos salários e das pensões já baixou quatro vezes", num total de 2 mil milhões de euros, e que o IRC desceu duas vezes, com medidas específicas para jovens e pensionistas. Foi então que disse: "Enquanto alguns sonham com demissões, Portugal tem o melhor desempenho económico da Europa e o maior crescimento do emprego na Europa."
Os números da Eurostat não confirmam a primeira parte da frase. A Irlanda lidera o crescimento do PIB no trimestre, com uma subida de 10,2% , um valor que a própria Eurostat associa a resultados extraordinários de multinacionais tecnológicas e farmacêuticas sediadas no país, e que os analistas consideram pouco representativo da economia real irlandesa. Seguem-se a Eslovénia (+1,8%) e a Lituânia (+1,7%). A Áustria foi o único Estado-membro com contração do PIB, de -0,1%. No conjunto da União Europeia, o PIB cresceu 0,7%; na Zona Euro, 0,6%.
A segunda parte da afirmação do primeiro-ministro é, ao contrário, confirmada pelos dados oficiais. Portugal registou, no mesmo trimestre, o maior crescimento do emprego entre os 27, com um aumento de 1,0%, à frente da Chéquia e de Malta (ambas com 0,9%). A Finlândia (-0,8%) e a Grécia (-0,4%) tiveram as maiores quebras. No total, a Eurostat estima 221,4 milhões de pessoas empregadas na União Europeia, mais 0,1% do que no trimestre anterior.

















