A China está a construir uma vasta rede de infraestruturas militares junto aos seus silos de mísseis nucleares de longo alcance no deserto do noroeste do país, numa operação de escala sem precedentes que visa garantir a capacidade de resposta nuclear mesmo em caso de ataque preventivo norte-americano.
Imagens de satélite analisadas pela Reuters revelam mais de 80 plataformas de lançamento, bunkers e nós de comunicações instalados nas proximidades do campo de silos nucleares de Hami, na região de Xinjiang. Dois complexos em forma de octógono, construídos nos últimos seis anos, servem de centro operacional à rede, ligados por estradas de terra batida e condutas que se estendem por milhares de quilómetros quadrados de deserto.
Segundo três analistas de segurança que avaliaram as imagens, as plataformas podem ser utilizadas para lançadores móveis de mísseis balísticos intercontinentais, baterias de defesa antiaérea e operações de guerra electrónica. As instalações incluem aeródromos e ligações ferroviárias aos silos de Hami.
A escala da construção aponta para um reforço significativo da capacidade de segundo ataque da China , a possibilidade de retaliar nuclearmente mesmo após um primeiro embate. O sistema de alerta precoce chinês, baseado nos satélites Huoyan-1, consegue detectar o lançamento de um míssil balístico intercontinental em 90 segundos e alertar um centro de comando em três a quatro minutos , tempo suficiente para disparar antes de ser atingido.
O desenvolvimento ocorre numa altura de tensão crescente entre Pequim e Washington. Este mês, o Presidente Xi Jinping avisou Donald Trump que um tratamento errado das divergências sobre Taiwan podia conduzir os dois países a “um lugar perigoso”. Os Estados Unidos estimam que a China deverá ter mil ogivas operacionais até 2030.
Crédito: Planet Labs Inc/Centro de Estudos para Não Proliferação

















