A Estoril-Sol dona dos casinos Estoril e Lisboa, pretende negociar acordos de saída com trabalhadores, recorrendo a uma provisão de 3,3 milhões de euros constituída para a reestruturação do negócio. A informação foi avançada ao jornal digital Eco pelo presidente da Associação Portuguesa dos Empregados de Banca de Casino, Gonçalo Portela.

Em 2025, a empresa registou prejuízos de 25,3 milhões de euros. A administração ainda não se pronunciou sobre os acordos.

Para os representantes dos trabalhadores, as dificuldades exigem mais do que uma redução de custos. Gonçalo Portela considera que a empresa não se adaptou à nova realidade do setor e defende o reforço das atividades que levam pessoas aos casinos sem o propósito de jogar. O crescimento do jogo online tornou essa questão particularmente relevante para os espaços físicos.

A discussão recupera o modelo que marcou a gestão de Mário Assis Ferreira: a associação do jogo a espetáculos, restauração e outras formas de entretenimento, uma oferta que ajudou a afirmar o Casino Estoril como local de encontro e destino de lazer, para além da sua atividade de jogo.

A menor aposta nesse conceito é apontada como uma das decisões estratégicas que importa reavaliar perante a mudança dos hábitos do público.

Os trabalhadores deverão reunir-se com o secretário de Estado do Turismo a 30 de setembro e com a administração no dia seguinte. Dessas reuniões esperam esclarecimentos sobre a dimensão da reestruturação e o futuro da empresa.

Refira-se igualmente que desde há algum tempo, nomeadamente após a morte do empresário Stanley Ho, que circulam
inúmeros rumores sobre a intenção da sua filha, Pansy Ho, de vender os casinos de Lisboa e do Estoril, à semelhança do que ocorreu com a unidade da Póvoa do Varzim, recentemente comprada por um grupo francês.