A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tem patente até dia 17 de fevereiro a exposição ‘Complexo Brasil’, uma ampla mostra dedicada às múltiplas expressões culturais do Brasil, que reúne obras de mais de uma centena de artistas e propõe uma leitura plural, crítica e contemporânea do país.
O projeto é assinado pelos curadores José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, com cenografia de Daniela Thomas, e resulta de um trabalho de investigação desenvolvido ao longo de quase três anos. José Miguel Wisnik sublinha que a exposição procura abordar um país “que não cabe numa única narrativa, nem numa imagem simplificada”, acrescentando que o objetivo foi “mostrar o Brasil como um campo de tensões, contradições, invenções e conflitos históricos ainda muito presentes”.
A exposição reúne obras de artistas como Cildo Meireles, Luiz Zerbini, Jaider Esbell, Glicélia Tupinambá, Sandra Nanayna, entre muitos outros, cruzando pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalação e materiais documentais.
Um dos eixos centrais da mostra é a reflexão sobre o legado do colonialismo e as suas consequências na formação social, política e cultural do Brasil. Várias obras abordam as heranças da escravatura, a marginalização das populações indígenas e afrodescendentes, bem como o racismo que atravessa a sociedade brasileira contemporânea. A curadoria procura, assim, expor não apenas a riqueza cultural do país, mas também as feridas históricas que continuam a moldar o país.
Segundo Wisnik, “não é possível falar do Brasil sem enfrentar a violência da sua história colonial e as desigualdades raciais que dela resultam”, defendendo que a arte tem um papel fundamental na construção de novas narrativas e na revisão crítica do passado.

















