O Brasil está a pagar cada vez mais caro para financiar a sua dívida. A taxa de juro implícita da dívida bruta do Governo atingiu 13,2% no acumulado de 12 meses, o valor mais elevado desde ñovembro de 2016. A subida da taxa Selic, as incertezas fiscais e externas e a expansão de programas de crédito subsidiado estão entre os fatores que pressionam as contas públicas.
A dimensão do problema torna-se mais evidente quando se olha para o volume do endividamento: a dívida bruta ronda 10,8 biliões de reais e mais de metade está indexada à Selic. Isto significa que as decisões do Banco Central sobre as taxas de juro têm repercussão praticamente imediata nos encargos suportados pelo Tesouro.
Há outro sinal de alerta: cerca de 30% da dívida interna titulada vence no prazo de 12 meses. Com os juros elevados, o Estado brasileiro está, na prática, a substituir dívida antiga por financiamento mais caro. O problema surge em plena campanha presidencial e promete colocar a política orçamental no centro do confronto eleitoral. Com uma economia que também começa a dar sinais de desaceleração, o próximo Governo poderá encontrar uma margem financeira bastante mais estreita do que aquela que os candidatos gostariam de admitir.

















