A economia brasileira está a assistir a uma vaga sem precedentes de empresas obrigadas a recorrer à recuperação judicial. Os dados reunidos até junho apontam para 6.341 companhias neste regime, contra 3.823 em 2023, uma subida que mostra como os juros elevados, o endividamento e as dificuldades de acesso ao crédito estão a atravessar praticamente todos os sectores da economia.
O comércio é particularmente atingido. Casas Bahia, uma das marcas mais conhecidas do retalho brasileiro, tornou-se um dos símbolos da crise, depois de anos marcados por encerramento de lojas e dificuldades financeiras. Redes como Dia, Polishop e Tok&Stok também recorreram à Justiça, enquanto o Grupo Pão de Açúcar optou por uma recuperação extrajudicial. A dívida das Casas Bahia é apenas inferior à da Americanas entre os grandes casos recentes.
O problema já ultrapassa o retalho. Indústria, agricultura, construção e transportes acumulam centenas de processos de reestruturação, levantando receios sobre investimento, emprego e crescimento económico num momento em que o Brasil se prepara para escolher o próximo Presidente.

















