A compra, através da Congolian Financial, sociedade ligada ao Grupo Carrinho, a totalidade dos 33,35 por cento que o BPI ainda detinha no Banco de Fomento Angola (BFA), reforçou o peso daquele grupo agroalimentar.
A operação, anunciada ontem, a 3 de Setembro, marca a saída definitiva do banco português do mercado angolano, num negócio que, apurou o 24Horas, prevê o pagamento de 345 milhões de euros na conclusão da venda, mais 43,5 milhões diferidos e uma componente variável equivalente a metade do dividendo de 2026 correspondente às acções adquiridas, ascendendo assim o valor garantido a 388,5 milhões de euros.
Este montante atribui implicitamente ao BFA uma avaliação próxima de 1,165 mil milhões de euros, antes da parcela variável. A valorização merece ser comparada com a Oferta Pública de Venda realizada em Setembro de 2025, quando o BPI alienou 14,75 por cento do banco por cerca de 103 milhões de euros, e com a actual cotação das acções na BODIVA.
A concretização da transacção depende da não oposição do Banco Nacional de Angola, de uma decisão da Comissão do Mercado de Capitais sobre uma eventual Oferta Pública de Aquisição e do não exercício do direito de preferência pela UNITEL.
Este negócio vem alterar significativamente o mapa de poder no sector financeiro angolano. O Grupo Carrinho já possuía exposição accionista ao BFA e controla 74 por cento do BCI, sendo que a aquisição de uma posição tão relevante num banco sistémico poderá reforçar a capacidade de financiamento das actividades agrícolas, industriais e de distribuição do grupo, levantando igualmente questões sobre a coexistência das participações no BFA e no BCI e sobre a futura relação com a UNITEL e os restantes accionistas.

















