O recente ataque informático que atingiu a Unitel, deixando milhões de clientes com dificuldades no acesso aos serviços, poderá acabar por acelerar o desenvolvimento de um mercado ainda praticamente inexistente em Angola: o dos seguros contra riscos cibernéticos.

O incidente ocorrido precisamente quando a maior operadora de telecomunicações angolana se preparava para celebrar a entrada em bolsa demonstrou a vulnerabilidade das grandes empresas perante ataques capazes de paralisar operações, provocar perdas financeiras e comprometer dados e sistemas críticos.

O episódio está já a alimentar o debate no sector segurador sobre a necessidade de desenvolver produtos específicos para cobrir estes riscos. Noutros mercados, os chamados seguros cibernéticos protegem empresas contra prejuízos provocados por ataques informáticos, interrupções de atividade, roubo de informação ou pedidos de resgate.

Em Angola, porém, a dimensão potencial dos prejuízos coloca outro problema: as seguradoras nacionais dificilmente terão capacidade financeira para suportar isoladamente sinistros de grande dimensão. O desenvolvimento deste mercado ficará, por isso, dependente do acesso ao resseguro internacional.