O Banco Central do Paraguai determinou a resolução do Ueno Bank, na terça-feira (3 de novembro), após identificar graves irregularidades financeiras e uma acentuada deterioração da situação económica da instituição. A decisão suspendeu as operações do banco e afetou cerca de três milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso a serviços como aplicações móveis, cartões, levantamentos e transferências.
A medida foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração do Banco Central, depois de o índice de solvabilidade da instituição cair para menos de metade do mínimo exigido pela regulamentação. As autoridades iniciaram um processo de resolução para avaliar a situação patrimonial, preservar os ativos e organizar a restituição dos depósitos abrangidos pela garantia legal.
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai prevê uma cobertura máxima de aproximadamente 34,1 mil euros por titular. O primeiro pagamento anunciado prevê a restituição de até 1.495 euros por depositante. Os restantes valores abrangidos pela garantia deverão ser pagos de acordo com o calendário estabelecido pelas autoridades. A cobertura é limitada ao montante legal e não representa uma garantia de restituição integral de todos os depósitos.
A crise também envolve recursos públicos. O Ueno Bank administrava aproximadamente 758 milhões de euros em fundos ligados a entidades públicas, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema de pensões do Paraguai. A instituição também participava no processamento dos pagamentos de reformas de cerca de 32 mil pensionistas. As autoridades asseguraram a continuidade desses pagamentos.
O caso provocou consequências políticas. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central a pedido do Presidente Santiago Peña. A situação levantou questionamentos sobre as relações políticas e empresariais em torno da instituição financeira, uma vez que Peña teve participação no grupo empresarial ligado ao banco.
Paralelamente, o Ministério Público abriu uma investigação para apurar eventuais responsabilidades pelas irregularidades financeiras. O processo também envolve dirigentes da instituição e poderá esclarecer como a situação do banco se deteriorou até à intervenção das autoridades.
O Banco Central sustenta que o problema está concentrado no Ueno Bank e não representa uma crise generalizada do sistema financeiro paraguaio.


















