A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), o maior sindicato da PSP, lançou esta quarta-feira, dia 4, duras críticas ao Governo AD, acusando o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ministro da Administração Interna, Luís Neves, de instrumentalizarem a atuação policial durante os protestos pela habitação em Lisboa e no Porto.
Num comunicado contundente, a estrutura sindical denuncia uma "intromissão política inaceitável" e acusa o Executivo de colocar os agentes em situações extremas, comprometendo a imagem e a reputação da instituição. "Ao instrumentalizarem a ação policial, continuam a expor os operacionais no terreno a situações extremas", acusa a ASPP/PSP, considerando que as recentes intervenções revelam "limitações à liberdade de ação da polícia."
O sindicato aponta ainda diretamente ao Ministério da Administração Interna, criticando aquilo que classifica como "constantes ziguezagues do MAI, a leviandade perante decisões judiciais e a aplicação cega de regras".
Segundo a associação, estas decisões acabam por transferir "indevidamente o ónus da crise da habitação para os polícias", com graves consequências para os profissionais.
A ASPP/PSP, que garante ter optado pelo silêncio para não alimentar o "espetáculo mediático", recorda também os confrontos entre polícias durante as manifestações de 1989, no episódio conhecido como "secos e molhados".
Por fim, deixa um aviso sobre as restrições ao direito de manifestação: "O que hoje condiciona uns, amanhã limitará os direitos de todos, incluindo os dos polícias."

















