Os democratas conquistaram a Câmara dos Representantes e o Senado nas eleições intercalares de terça-feira, dia 3, nos Estados Unidos, e passam a controlar o Congresso nos dois últimos anos de mandato de Donald Trump. Hakeem Jeffries deverá tornar-se o primeiro presidente negro da Câmara.

Na Câmara, a estação de televisão NBC estima que os democratas fiquem com pelo menos 258 lugares, contra 177 dos republicanos, a maior margem em 33 anos.

No Senado, onde os republicanos tinham 53 lugares contra 47, os democratas precisavam de um ganho líquido de quatro e conquistaram sete: Carolina do Norte, com Roy Cooper, Ohio, com Sherrod Brown, Texas, Carolina do Sul, Kansas, Iowa, com Josh Turek, e Maine, com Troy Jackson, que afastou Susan Collins ao fim de 30 anos no cargo. Os democratas não perderam nenhum lugar até agora: seguraram a Geórgia, o New Hampshire e o Michigan, onde Abdul El-Sayed se torna o primeiro senador muçulmano da história do país. O Senado está em 54 contra 44, com o Alasca e o Mississípi por decidir.

A maior surpresa chegou da Carolina do Sul, onde a pediatra Annie Andrews derrotou a senadora Darline Graham, nomeada para o lugar do irmão, Lindsey Graham, que morreu em julho. Graham reconheceu a derrota e admitiu que os conservadores têm trabalho pela frente.

No Texas, James Talarico, de 37 anos, venceu Ken Paxton e torna-se o primeiro democrata eleito senador pelo estado em 38 anos, num território que Trump ganhou por quase 14 pontos em 2024. No Kansas, onde Trump venceu por 16 pontos, o pastor Adam Hamilton, estreante em eleições, afastou Roger Marshall, apesar de Trump e do vice-presidente JD Vance terem feito campanha contra ele. Será o primeiro senador democrata eleito pelo estado em 94 anos.

Nas eleições para governador, os democratas conquistaram cinco estados aos republicanos: Geórgia, com Keisha Lance Bottoms, Iowa, com Rob Sand, Texas, com Gina Hinojosa, Ohio, com Amy Acton, que venceu Vivek Ramaswamy, e Nevada, com Aaron Ford. Passam a ter a maioria dos governadores pela primeira vez em 16 anos. Jocelyn Benson venceu no Michigan, Hannah Pingree no Maine e Katie Hobbs foi reeleita no Arizona. Os republicanos seguraram a Florida, com Ashley Moody no Senado e Byron Donalds como governador.

As sondagens à boca das urnas apontam para um voto de castigo. Trump ficou perto dos 38% de aprovação, o que, segundo a CBS, o coloca a caminho de um mínimo histórico para um presidente em eleições intercalares. A economia foi o tema mais citado: três em cada quatro eleitores consideram que está em mau estado, e cerca de dois terços dizem que as políticas de Trump a pioraram.

O outro grande movimento veio de eleitorados que tinham ajudado Trump a regressar à Casa Branca. Segundo a NBC, cerca de 60% dos latinos votaram nos democratas para a Câmara, face a 51% em Kamala Harris há dois anos. Uma sondagem da AP indica que perto de sete em cada dez eleitores com menos de 30 anos também escolheram os democratas, um grupo que em 2024 se tinha dividido entre os dois partidos.

A guerra com o Irão pesou igualmente na campanha, com efeitos nos custos de vida. Numa sondagem Gallup de outubro, 47% dos eleitores registados consideravam-na extremamente importante para o seu voto, logo a seguir à economia e à saúde.

Trump disse ao New York Times que está disposto a aceitar os resultados e afirmou à Fox News que não vê as derrotas republicanas como um golpe contra si. Chuck Schumer, que deverá voltar a liderar o Senado, prometeu alívio aos americanos. O republicano John Thune avisou que o seu partido não ficará parado perante as tentativas de desfazer o trabalho dos últimos dois anos.

A contagem em alguns estados pode prolongar-se por dias, e o Alasca, se for preciso recorrer ao voto preferencial, só apura o vencedor cerca de duas semanas depois da eleição.