A guerra na Ucrânia já não se trava apenas nas trincheiras. Longe da frente de combate, cresce a tensão entre a população e as autoridades responsáveis pelo recrutamento militar. As denúncias de detenções forçadas de homens em idade de combater têm provocado confrontos violentos nas ruas, numa altura em que o exército de Volodymir Zelensky enfrenta dificuldades crescentes para substituir os soldados mortos, feridos ou exaustos.

O mais recente episódio ocorreu agora, nos arredores de Kiev. Cerca de 100 pessoas concentraram-se junto de instalações da Guarda Nacional, depois de circularem denúncias de alegadas agressões e maus-tratos a recrutas. A multidão entrou em confronto com militares e polícias, arremessou pedras e ovos contra uma viatura e tentou virá-la. As autoridades abriram uma investigação. Segundo a Reuters, estavam no local 22 homens, quatro dos quais necessitaram de assistência médica.

Na Ucrânia, a mobilização obrigatória abrange, em regra, homens entre os 25 e os 60 anos considerados aptos para o serviço militar, salvo as exceções previstas na lei. Contudo, multiplicam-se as denúncias de abordagens violentas e detenções arbitrárias nas ruas, práticas que têm alimentado a indignação de parte da população.
O governo de Zelensky defende a necessidade de continuar a mobilizar soldados para resistir à invasão russa, mas as autoridades reconhecem problemas no sistema de recrutamento e prometem reformas.

Créditos: @crismartinj / X