O novo regime de portagens em Angola poderá abrir caminho a uma maior participação de empresas privadas na construção, manutenção e exploração das principais estradas do país, criando uma fonte regular de receitas capaz de tornar mais atrativas futuras parcerias público-privadas.

As novas regras para as portagens fronteiriças e não fronteiriças determinam que as receitas sejam utilizadas no financiamento da conservação e manutenção da rede rodoviária nacional. Segundo o Expansão, o objetivo passa também por reduzir a dependência do Orçamento Geral do Estado no financiamento das infraestruturas.

O novo tarifário fixa valores entre 250 e 7.000 kwanzas nas portagens não fronteiriças. Nas fronteiras, os montantes variam entre 2.500 e 85 mil kwanzas, sendo os veículos pesados os mais afetados.

A introdução de uma receita previsível é considerada essencial para atrair investidores privados, que poderão assumir concessões rodoviárias com retorno assegurado pelas portagens.

O modelo, porém, poderá ter impacto nos custos da economia. O aumento das despesas dos transportadores de mercadorias tenderá a refletir-se na logística e, posteriormente, nos preços pagos pelos consumidores, sendo que o desafio para o Estado será, por isso, garantir que a cobrança das portagens seja acompanhada por uma melhoria efetiva da qualidade das estradas, condição essencial para assegurar a aceitação dos utilizadores e a confiança dos investidores privados.