Alberto João Jardim, 83 anos, voltou a mostrar que a idade não lhe retirou a frontalidade. Numa extensa entrevista, saída hoje no Público, o histórico líder madeirense deixa duras críticas à atual liderança do PSD, coloca Pedro Passos Coelho e Luís Montenegro “no mesmo saco” e acusa o partido de ter perdido capacidade mobilizadora e ambição reformista.
Para Jardim, Passos Coelho alterou profundamente o ADN social-democrata do PSD, transformando-o num partido mais conservador, enquanto Montenegro, apesar de um estilo diferente, “é da mesma plumagem” e não consegue entusiasmar o país nem o próprio partido. O antigo presidente do Governo Regional considera mesmo que a recente reforma laboral foi um “desastre de estratégia política”, por não responder às expectativas criadas e por revelar falta de coragem reformista.
Apesar das críticas, Alberto João afasta qualquer aproximação ideológica entre o PSD e o Chega, defendendo que este partido combate o funcionalismo público com uma linguagem semelhante à usada por Ventura, mas sem existir uma convergência política de fundo.
O antigo líder madeirense elogia, por outro lado, António José Seguro, considerando que tem demonstrado sentido de Estado, e defende que o PSD precisa de uma remodelação governativa e de recuperar o eleitorado do centro para evitar o crescimento dos extremos.
Numa das passagens mais marcantes da entrevista, Jardim sustenta que “Lisboa fez um grande favor ao PSD-Madeira” com a Operação Ab Initio, ao unir novamente o partido na região. E deixa ainda um aviso à direção nacional: sem ideias novas, capacidade de mobilização e abertura à mudança, o PSD arrisca-se a continuar a perder terreno político.
Aos 83 anos, Alberto João Jardim mostra que continua sem receio de desafiar o seu próprio partido – e a partir a loiça sempre que considera necessário.
















