Belfast, na Irlanda do Norte, viveu nesta madrugada a segunda noite consecutiva de distúrbios devido a manifestações anti-imigração. Os manifestantes incendiaram caixotes do lixo, carros e casas e atiraram objetos como tijolos, pedras e garrafas contra a polícia, o que obrigou as autoridades a usar canhões de água para dispersar a multidão. 12 agentes da polícia ficaram feridos. Os tumultos ocorrem na sequência de um esfaqueamento, esta segunda-feira, dia 8, que deixou um homem irlandês gravemente ferido e cego de um olho, atacado por um requerente de asilo sudanês, de 30 anos.

Nas duas últimas noites, as ruas da capital encheram-se de centenas de manifestantes, muitos deles de cara tapada, andando de porta em porta à procura de imigrantes. As autoridades irlandesas e figuras políticas do país apelam à calma e a que as pessoas não partilhem vídeos de violência extrema nem desinformação.

O secretário de Estado da Irlanda do Norte, Hilary Benn, pediu contenção: "Todos nós temos agora a responsabilidade de apelar à calma e deixar a polícia fazer o seu trabalho." A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O'Neill, apelou à empatia: "O ataque no norte de Belfast foi hediondo e errado. Mas existem tentativas perigosas de explorar isso, de visar e atacar pessoas inocentes que estão simplesmente a tentar viver, trabalhar e criar as suas famílias aqui."

O esfaqueamento, uma tentativa de decapitação, que ocorreu num bairro residencial de Belfast, atraiu atenção nacional depois de serem divulgados vídeos explícitos do momento, nas redes sociais. O alegado autor do crime foi presente a tribunal esta quarta-feira, dia 10, sob acusações de tentativa de homicídio, posse de arma branca e ameaças de morte. Encontra-se em prisão preventiva.

Crédito: @MyLordBebo