O euro começou a semana em alta frente ao dólar e ultrapassou a fasquia dos 1,16 dólares, alcançando esta segunda-feira, dia 17, o nível mais elevado desde o início de junho. A moeda europeia chegou a negociar nos 1,1614 dólares, beneficiando sobretudo da mudança de expectativas em relação à política monetária norte-americana.
Os investidores estão agora menos convencidos de que a Reserva Federal dos Estados Unidos aumente as taxas de juro já em setembro. A probabilidade atribuída pelos mercados a uma subida nesse mês caiu para cerca de 31%, depois de ter ultrapassado os 50% na semana anterior.
Na origem desta mudança estão vários sinais de perda de força da economia norte-americana. As vendas a retalho recuaram 0,6% em julho e os últimos indicadores apontaram também para um mercado de trabalho menos dinâmico e pressões inflacionistas mais moderadas.
A Fed decidiu, na última reunião, manter a taxa de referência entre 3,50% e 3,75%. Os investidores aguardam agora a divulgação, na quarta-feira, das atas desse encontro para tentar perceber qual poderá ser o próximo passo do banco central.
Na zona euro, o cenário é diferente. O Banco Central Europeu manteve em julho a taxa dos depósitos nos 2,25%, mas deixou aberta a possibilidade de novo aperto monetário. Os mercados têm vindo a antecipar uma subida de 25 pontos base na reunião de setembro, num contexto em que os preços da energia continuam a alimentar preocupações com a inflação.
A evolução das moedas está ainda condicionada pela instabilidade no Médio Oriente. Esta segunda-feira termina o prazo de 60 dias estabelecido no memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão para alcançar um acordo mais abrangente, sem que as negociações tenham produzido uma solução. A circulação de navios no estreito de Ormuz continua fortemente afetada, mantendo a pressão sobre os mercados energéticos.
A tensão geopolítica e os receios de novas subidas do petróleo poderão, contudo, limitar o enfraquecimento do dólar, uma moeda que tende a beneficiar em períodos de maior procura por ativos considerados seguros.

















