A Europa atravessou já cinco ondas de calor desde maio, numa sucessão de episódios extremos que está a testar a capacidade dos países para proteger populações vulneráveis, infraestruturas e sistemas de saúde.

As temperaturas excecionalmente elevadas em várias regiões europeias, acompanhadas por incêndios, problemas de saúde pública e pressão sobre redes de energia e abastecimento de água, estão também a alterar a perceção sobre aquilo que durante décadas foi considerado “calor de verão”. Temperaturas anteriormente tratadas como excecionais começam a repetir-se com frequência suficiente para exigir planos permanentes de adaptação.

Cidades estão a criar zonas de sombra e espaços climatizados, hospitais reforçam protocolos para idosos e pessoas com doenças crónicas e autoridades laborais analisam regras específicas para quem trabalha no exterior.

O problema começa a tornar-se particularmente grave nas áreas urbanas, onde o betão retém calor durante a noite e impede que as temperaturas desçam suficientemente para permitir a recuperação do organismo, o que contribui para que a discussão já não seja apenas sobre como reduzir emissões para limitar o aquecimento futuro, mas sim como adaptar rapidamente cidades e serviços públicos a um clima que já mudou.