José Manuel Durão Barroso, de 70 anos, foi um dos convidados de Nelma Serpa Pinto, de 29, na SIC Notícias, e deixou declarações fortes sobre Vladimir Putin e Donald Trump, abordando a atual situação internacional e o papel da Europa.

Questionado pela jornalista sobre declarações recentes em que descreveu Trump como um "disruptor", que mudou o paradigma do discurso público, o antigo presidente da Comissão Europeia fez questão de esclarecer que isso não significa admiração pelo presidente norte-americano.

"Não. Não disse que o admirava", respondeu. Ainda assim, considerou que é um erro atribuir-lhe todas as dificuldades da Europa: "Também não acho que as culpas estejam nele, nomeadamente do ponto de vista europeu. Não é por causa de Trump que a Europa não tem mercado de capitais. A conclusão que tiro, como europeu, é que devemos fazer nós mais e melhor."

O social-democrata defendeu, por isso, que Portugal e a Europa devem preservar uma relação próxima com os Estados Unidos: "É do nosso interesse manter uma relação especial com os EUA."

Durante a conversa, Nelma Serpa Pinto recordou ainda o período em que Durão Barroso liderava a Comissão Europeia, aquando da invasão da Crimeia pela Rússia, em 2014, e perguntou-lhe se sentia que tinha sido enganado por Vladimir Putin.

A resposta foi perentória. "É alguém em quem não se pode confiar. Isto não é uma questão pessoal. Falei muitas vezes com ele, até conversámos sobre assuntos simpáticos, mas um político pode, às vezes, não dizer toda a verdade. Mentir descaradamente, além de ser errado do ponto de vista ético, não é muito inteligente."

O antigo primeiro-ministro revelou também uma frase que garante ter ouvido de Putin durante um dos encontros entre ambos. "Disse mesmo, à minha frente e com testemunhas: 'Se fosse o exército russo, tomávamos Kiev em menos de duas semanas'."

Para Durão Barroso, essa afirmação diz muito sobre o líder russo. "Isso mostra arrogância. E eu digo sempre: a arrogância é uma forma de estupidez", rematou.