Roberto Martínez, de 52 anos, confirmou que o encontro frente à Espanha foi o último ao comando da Seleção Nacional. Na despedida, o técnico espanhol fez um balanço dos três anos e meio à frente de Portugal, agradeceu aos adeptos, aos jogadores e à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e garantiu sair de "consciência tranquila", apesar de não ter conseguido cumprir o objetivo de conquistar o Mundial.

"É certo que é o meu último jogo na Seleção de Portugal... Mas tenho duas notas: primeiro agradecer ao povo português porque foi um período incrível, um orgulho que não posso descrever. A força, a energia dos adeptos, de todo o povo. Agradecer por isso. Levo comigo uma memória para toda a vida", começou por afirmar.

O selecionador deixou ainda palavras de reconhecimento ao grupo de trabalho: "Agradecer o trabalho dos jogadores porque foi incrível. Muito talento. Mas foi o compromisso para sermos uma equipa. São 45 jogos, os melhores números da história de Portugal. (...) Levo comigo memórias incríveis e o meu agradecimento ao povo português."

Questionado sobre a forma como espera ser recordado, Martínez recusou a ideia de fracasso. "Primeiro, dizer que não falhámos. Perdemos contra um favorito. Jogámos olhos nos olhos, fomos nós mesmos, mostrámos um talento individual incrível. (...) Tentámos até ao último minuto, dar tudo o que temos. Os jogadores foram incríveis, exemplares. E é isso que te faz ser ganhador no futebol e na vida. Levo um legado incrível e espero que os adeptos portugueses possam relembrar que a equipa técnica e eu tentámos dar tudo, a vida, durante estes anos."

O treinador explicou ainda que a saída marca o encerramento de um ciclo e revelou que a decisão partiu de si. "Não conversámos, mas é o fim de ciclo. É legítimo que o senhor Pedro Proença possa escolher o seu selecionador. (...) O meu contrato termina hoje. Não há muito mais a dizer." Sobre os motivos que o levaram a deixar o cargo, foi claro: "Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial e acho que, sem ganhar, não faz sentido continuar."

Apesar da eliminação, Martínez destacou a consistência da Seleção Nacional nos últimos anos. "Portugal é uma seleção de nível máximo pela consistência que tem desde 2002 e pelo que faz a nível do futebol. (...) A formação de Portugal é um exemplo para todo o mundo, um país de 10 milhões de habitantes."