Espanha continua a enfrentar uma das piores crises de incêndios da sua história recente. As chamas já consumiram mais de 77 mil hectares, obrigaram à retirada de mais de 35 mil pessoas e levaram o rei Felipe VI, de 58 anos, a fazer um apelo à união perante a dimensão da tragédia.

Durante uma visita ao complexo desportivo La Chopera, em Villamanta, onde estão alojadas centenas de desalojados, o monarca mostra-se profundamente apreensivo: "Estou muito preocupado e ainda temos um longo verão pela frente", afirmou, defendendo que as entidades devem garantir "todos os meios possíveis" para combater os incêndios e proteger as populações.

O maior foco continua a ser o incêndio entre Ávila, Madrid e Toledo, já considerado pelas autoridades espanholas como o maior incêndio florestal da história recente do país. Só este fogo já destruiu cerca de 47 mil hectares, estando os vários focos a ser combatidos como uma única frente devido à proximidade entre eles.

Entretanto, um novo incêndio em Vall d'Uixó, na província de Castellón, agravou ainda mais a situação, obrigando à retirada de cerca de 16 mil pessoas de 15 localidades. As chamas já consumiram mais de 4.300 hectares e continuam fora de controlo.

Também o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de 54 anos, visitou este domingo o posto de comando em Navaluenga, onde voltou a defender um "pacto de Estado contra as alterações climáticas", considerando que a Península Ibérica está a sofrer "os efeitos da emergência climática" através dos incêndios extremos e das tempestades que têm atingido Espanha e Portugal.

Segundo o Governo espanhol, mais de 150 mil hectares já arderam este ano no país, onde foram registados 32 grandes incêndios florestais desde janeiro. Além dos mais de 35 mil desalojados, cerca de 20 mil pessoas tiveram de permanecer confinadas por questões de segurança.

Apesar de as autoridades reconhecerem que a situação em Madrid e Ávila evoluiu de forma positiva nas últimas horas, continuam a existir várias frentes ativas e o risco de reacendimentos mantém-se elevado. Espanha já declarou o estado de emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo e prepara um pacote de apoios para as populações afetadas.

Portugal também está a ajudar no combate às chamas, como o 24Horas avançou. Desde sábado, 128 operacionais portugueses, entre bombeiros, elementos da Proteção Civil e militares da GNR, encontram-se no terreno em Ávila. O comandante português David Lobato admitiu que o cenário continua extremamente difícil, explicando que a intensidade do incêndio impede, para já, uma extinção direta das chamas, obrigando as equipas a concentrar esforços na contenção e gestão do fogo até existirem condições para o dominar.

Créditos: Instagram @guardiacivil062