O ministro da Defesa, Nuno Melo, ainda não tem garantido o financiamento necessário para concretizar a compra das três fragatas italianas à Fincantieri. Portugal pretende recorrer ao mecanismo europeu SAFE, mas o empréstimo terá primeiro de ser autorizado pela Assembleia da República, uma condição que o Governo comunicou a Bruxelas sem informar previamente os partidos da oposição.
O acordo de financiamento deverá ser assinado em outubro, mas só entrará em vigor depois de concluído o processo parlamentar. Até lá, o Estado português não poderá receber os 876 milhões de euros previstos como pré-financiamento — correspondentes a 15% dos 5 mil 800 milhões atribuídos a Portugal para aquisições militares.
A situação coloca novas dúvidas sobre a operação anunciada por Nuno Melo. Só as três fragatas representam cerca de 3 mil e 900 milhões de euros, aos quais se juntam viaturas blindadas espanholas, estimadas em 133 milhões. Considerando os juros e a inflação ao longo dos 45 anos do empréstimo, o Ministério da Defesa admite que o custo global do financiamento poderá aproximar-se dos sete mil milhões de euros.

PS e Chega criticaram a falta de transparência do Governo e mostraram-se surpreendidos com a necessidade de aprovação parlamentar. O socialista Luís Dias defende que o Parlamento deve ser envolvido na decisão, enquanto o Chega pretende chamar Nuno Melo a explicar não apenas o empréstimo, mas também os contratos que pretende financiar.
O ministro será ouvido na Comissão de Defesa a 22 de setembro. Até essa data, permanece uma evidência: as fragatas foram anunciadas, mas o dinheiro que permitirá comprá-las ainda não está definitivamente assegurado.

















