A polémica portuguesa em torno da compra das três fragatas FREMM EVO começou a despertar a atenção dos media italianos. A agência ANSA, uma das principais referências informativas de Itália, divulgou o comunicado da NT Group (NTG), no qual a empresa portuguesa esclarece a natureza da relação mantida com a construtora naval Fincantieri.
A NTG garante que não atuou como intermediária na venda das fragatas ao Estado português nem participou nas negociações finais entre os governos de Lisboa e Roma. Confirma, porém, que trabalhou durante vários anos para a Fincantieri, promovendo em Portugal as soluções navais do grupo italiano.
Desde 2020, esse trabalho terá incluído contactos institucionais, apresentações e iniciativas junto de entidades portuguesas, contribuindo para divulgar as FREMM EVO e posicionar a Fincantieri no mercado nacional. A NTG considera que a sua intervenção foi “material, documentada e direta” e reserva-se o direito de exigir uma compensação à empresa italiana, embora assegure não reclamar qualquer pagamento ao Estado português.
A publicação do esclarecimento pela ANSA representa um novo desenvolvimento num processo até agora acompanhado sobretudo pelos media portugueses. A controvérsia atravessa, assim, a fronteira e começa a chegar ao país onde está sediada a empresa que deverá construir os navios.
O comunicado também expõe uma aparente contradição: o Ministério da Defesa afirmou desconhecer qualquer ligação entre a NTG e a Fincantieri, mas a empresa portuguesa confirma agora que trabalhou durante anos na promoção das fragatas italianas. Embora negue ter negociado o contrato, a NTG reconhece que ajudou a criar a oportunidade comercial — e deixa claro que a discussão sobre uma eventual remuneração será travada diretamente com a Fincantieri.
Segundo a ANSA, o comunicado da NTG “surge na sequência da polémica desencadeada por um artigo publicado pelo jornal digital 24 Horas, segundo o qual a operação de aquisição das três fragatas teria suscitado sérias dúvidas, em particular no que respeita ao afastamento súbito e inesperado da NTG das negociações”

















