O gabinete de André Ventura, de 43 anos, na Assembleia da República foi vandalizado na manhã desta terça-feira, 28. O líder do Chega denunciou o caso através do Instagram, onde partilhou um vídeo que mostra o espaço completamente remexido, com documentos e papéis espalhados pelo chão.

"Assim está o meu gabinete esta manhã na Assembleia da República", escreveu André Ventura na publicação. Segundo fonte do partido, a Polícia Judiciária (PJ) foi chamada ao local e encontra-se a investigar o caso, tentando apurar como foi possível aceder ao gabinete e quem o poderá ter feito.

O presidente do Chega afirmou acreditar que o objetivo de quem entrou no gabinete era procurar documentação específica. "Alguém estava à procura de alguma coisa e não se coibiu de agir dentro do próprio Parlamento. Não sei ainda se foi roubado algum documento ou não, mas atingimos o grau zero da nossa democracia", escreveu.

Entretanto, André Ventura revelou que foram furtados documentos relacionados com Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária, bem como documentação relacionada com o gabinete do primeiro-ministro. O líder do Chega adiantou ainda que desapareceram duas pen drives com informação, além de vários pertences pessoais que se encontravam no gabinete.

Ventura explicou que a Polícia Judiciária continua no local a recolher vestígios e a tentar perceber quem poderá ter cometido o alegado crime, sublinhando que, nesta fase, ainda não existe qualquer suspeito identificado. O líder do Chega aproveitou também para agradecer aos inspetores da PJ pelo trabalho que estão a desenvolver. "Agradeço aos agentes que estão no gabinete a tentar perceber quem fez isto", referiu.

O caso gerou de imediato reações dentro do partido. A deputada do Chega Rita Matias, de 27 anos, manifestou apoio a André Ventura através do Instagram. "Isto sim é invasão de gabinete, numa altura muito curiosa! O presidente da Assembleia tomará alguma diligência? Muita força! Nunca caminhará sozinho", escreveu.

Entretanto, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de 53 anos, defendeu que a denúncia deve ser investigada "de forma célere e conclusiva", considerando que os órgãos de soberania têm de ser protegidos.

"Se houve algum ato de vandalismo, deve ser investigado e os seus responsáveis responsabilizados. É inconcebível numa democracia madura como é a portuguesa", afirmou Luís Montenegro, à margem da assinatura de um acordo de cooperação entre a Santa Casa da Misericórdia e o Hospital de São João da Madeira.

O chefe do Governo acrescentou ainda que, caso se confirme que o alegado crime ocorreu nas instalações de um órgão de soberania, a investigação deverá ser "rápida e conclusiva", de forma a "erradicar qualquer tentação mais extremista em termos de ataque aos esteios do sistema democrático e ao respeito dos que representam a vontade política do povo português".

Para já, a Polícia Judiciária mantém as diligências no local, enquanto prossegue a investigação para identificar os responsáveis e confirmar a dimensão do material alegadamente furtado.

Créditos: Instagram @andre_ventura_oficial