A Asociación Galega das Castanhas e dos Soutos exige a demissão de João Moura, secretário de Estado da Agricultura, na sequência das declarações feitas pelo governante durante a abertura da EuroCastanea, em Carrazedo de Montenegro, Valpaços. A organização acusa João Moura de uma "inaceitável falta de respeito" pelos produtores de castanha e de tentar "amedrontar" o setor.
Numa publicação nas redes sociais, a associação galega manifesta o seu "mais absoluto e frontal repúdio" pelas palavras do secretário de Estado, depois de este ter associado a campanha internacional para o reconhecimento da castanha como "fruto fresco" à possibilidade de captação de fundos da Política Agrícola Comum (PAC).
"Insinuar publicamente que a campanha internacional para o reconhecimento da ‘Castanha Fruto Fresco’ é uma simples manobra para captar fundos da PAC é um insulto à inteligência", acusa a associação, que considera ainda que as declarações demonstram um "alarmante desconhecimento da realidade técnica e agronómica" do setor.
A organização insiste que a castanha "não é um fruto seco" e explica que o produto necessita de uma cadeia de frio contínua para assegurar as condições de conservação e comercialização. "A nossa luta procura o rigor logístico e a profissionalização definitiva da cadeia de valor, e não mendigar subsídios", acrescenta.
As críticas sobem de tom quando a associação acusa João Moura de tentar "amedrontar os produtores", ao, alegadamente, afirmar que estes poderiam receber "zero euros" caso fosse alterado o atual enquadramento legal. Para a organização, trata-se de uma "tática miserável que atrasa o progresso dos nossos territórios".
A polémica em torno das declarações do secretário de Estado já tinha chegado à Assembleia da República (AR). Como o 24Horas noticiou, o Chega pediu uma audição urgente de João Moura no Parlamento, para que o governante prestasse esclarecimentos sobre as declarações feitas durante o encontro dedicado ao setor da castanha.
Agora, a associação galega vai mais longe e considera que João Moura deixou de ter condições para permanecer no cargo. "Um representante público que ameaça os produtores em vez de lutar por eles na Europa não é digno do seu cargo e deveria ser demitido de imediato", defende.
A organização afirma ainda que decidiu tornar pública a posição por considerar que existe um "clamor unânime no setor transfronteiriço" e deixa um último recado aos responsáveis políticos: "É hora de os políticos fazerem o seu trabalho e estarem à altura do nível de profissionalização dos produtores, ou então que deem um passo ao lado."

















