Michelle Bachelet desistiu da corrida ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A antiga presidente do Chile, de 74 anos, anunciou que não continuará a candidatura para suceder ao português António Guterres, cujo segundo mandato à frente da ONU termina a 31 de dezembro.

A decisão surge depois de um duro revés no Conselho de Segurança. Na terceira votação informal, realizada na sexta-feira, Bachelet recebeu apenas um voto de incentivo, contra 11 votos de desencorajamento e três sem opinião, ficando praticamente sem margem para prosseguir a corrida.

"Hoje, anuncio que decidi não continuar com a minha candidatura”, afirmou a antiga chefe de Estado num vídeo divulgado nas redes sociais. Bachelet garantiu não estar arrependida de ter assumido o desafio e insistiu numa das principais bandeiras da candidatura: a possibilidade de a ONU ser finalmente liderada por uma mulher da América Latina.

Presidente do Chile por duas vezes, entre 2006 e 2010 e entre 2014 e 2018, Bachelet foi também diretora-executiva da ONU Mulheres e alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A candidatura, lançada inicialmente com o apoio do anterior governo chileno, Brasil e México, sofreu um importante golpe em março, quando o novo presidente do Chile, José Antonio Kast, retirou o apoio do país. Brasil e México mantiveram o respaldo.

A saída de Bachelet deixa sete candidatos na corrida. O próximo secretário-geral terá de ser recomendado pelo Conselho de Segurança e posteriormente eleito pela Assembleia Geral. Em mais de 80 anos de história, nenhuma mulher liderou a ONU.

Créditos: michellebacheletpdta/Instagram