O Irão atacou Israel na noite deste domingo, dia 7. As forças armadas israelitas afirmaram ter detetado e intercetado os mísseis lançados a partir do Irão, que, segundo forças iranianas, eram resposta aos ataques israelitas no Líbano. Israel disparou mísseis contra o Irão em retaliação, apesar dos apelos do presidente norte-americano, Donald Trump, para que Benjamin Netanyahu se contivesse na resposta, já que não havia registo de vítimas.

Ao amanhecer no Irão, as forças israelitas confirmaram em comunicado que "a Força Aérea Israelita atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e no centro do Irão.” A televisão estatal iraniana adiantou que se ouviram explosões em Isfahan, Tabriz e Teerão. A Guarda da Revolução Islâmica, força paramilitar do Irão, afirmou que Israel utilizou mísseis balísticos lançados do ar.

As forças armadas israelitas informaram que foram disparados e intercetados 11 mísseis iranianos em menos de uma hora, que não terão feito vítimas. As sirenes de alerta soaram em várias zonas do norte e centro de Israel, como Jerusalém e Telavive. A interceção de vários mísseis iranianos provocou pelo menos três incêndios, mas sem registo de vítimas ou danos significativos.

O exército israelita anunciou ainda ter intercetado esta madrugada um míssil lançado do Iémen. O lançamento ocorreu uma hora e meia depois de Israel ter anunciado que atacou "alvos militares" no oeste e no centro do Irão.

Depois disso, o exército israelita já anunciou novo ataque de mísseis iranianos, esta segunda-feira de manhã: "O exército israelita identificou recentemente mísseis lançados do Irão em direção ao território do Estado de Israel. Os sistemas de defesa estão em ação para intercetar a ameaça."

O Irão já tinha garantido uma resposta reforçada, caso Israel avançasse com mais ataques. "Se [Israel] ampliar os seus ataques nessa zona [no Líbano] ou responder à ação do Irão com ataques mais devastadores e punitivos, enfrentará uma resposta devastadora contra o regime e os seus apoiantes", afirmou o chefe do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, o major-general Ali Abdolahi, num comunicado citado pelos meios de comunicação iranianos.

Autoridades regionais iranianas confirmaram hoje um ataque do exército israelita contra o complexo petroquímico de Mahshahr, que causou "danos parciais", informaram os meios de comunicação oficiais do Irão."Há alguns minutos, a empresa petroquímica Karoon, em Mahshahr, foi alvo de um ataque aéreo e atingida por projéteis disparados pelo inimigo sionista, o que danificou parte das instalações", declarou o vice-governador regional da localidade atingida, no sudoeste do Irão, citado pela agência iraniana Fars, que não identificou a fonte.

Houthis do Iémen confirmaram entrar em guerra contra Israel, ao lado do Irão

Os houthis do Iémen anunciaram que vão impedir a navegação israelita no Mar Vermelho. Desde o ataque de aviso iraniano contra Israel, ontem à noite, as investidas de um lado e do outro têm sido constantes.

O Hezbollah reivindicou ainda o ataque, uma hora antes, a uma posição da artilharia israelita, bem como a uma concentração de soldados, também no norte do país.

Donald Trump apelou à contenção do conflito

Donald Trump queria que os iranianos cessassem o lançamento de mísseis e voltassem às negociações, em declarações à Fox News. Também conversou por telefone com Benjamin Netanyahu, mas de pouco valerem os seus apelos.

"Estamos prestes a concluir um acordo definitivo com o Irão. Será um bom acordo. Não quero que ele vá por água abaixo por causa do que está a acontecer atualmente (...) Estamos muito perto. Diria que um acordo pode ser assinado na segunda, terça ou quarta-feira desta semana. E eis que acontece isto", afirmou, segundo o jornalista Trey Yingst, que terá conversado com o presidente ao telefone.

Já o ministro da Segurança Nacional de Israel defendeu uma resposta dura a este ataque iraniano. Numa publicação nas redes sociais, Itamar Ben-Gvir afirmou que "esta noite, Teerão deve arder".

Donald Trump garantiu, ainda, que os ataques de Israel no Líbano no domingo, dia 7, não foram coordenados com os Estados Unidos. Porém, o Irão não ficou convencido: "Ninguém acredita que o regime sionista empreenderia qualquer ação sem coordenação e cooperação prévias com os Estados Unidos", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghai, em conferência de imprensa.

Estes ataques marcam a quebra do cessar-fogo que durava há dois meses, numa altura em que se completam 100 dias de guerra no Golfo. Segundo o Irão, as hostilidades terão consequências para as negociações com os Estados Unidos.

Crédito: @HananyaNaftali