Joaquim de Almeida, de 69 anos, voltou a criticar Donald Trump, acusando o presidente norte-americano de ultrapassar os limites da democracia. O ator manifestou preocupação com o rumo político dos Estados Unidos, país onde viveu durante quase meio século, e explicou as razões que o levaram a regressar a Portugal. Numa entrevista ao Notícias ao Minuto, à margem das Conferências do Estoril, abordou ainda a crise da habitação, o futuro dos jovens e as dificuldades do cinema nacional.
O velho galã mudou-se para os Estados Unidos aos 19 anos, depois de ter vivido em Portugal durante a ditadura salazarista e de ter assistido à Revolução dos Cravos, em 1974. Apesar de ter gostado de viver naquele país, considera que a atual situação política se afastou dos valores que o levaram a escolher os Estados Unidos. "Vivi 48 anos nos Estados Unidos, sempre gostei muito de lá viver e vim-me embora, porque aquilo está a tornar-se num país com um governo que não faz sentido", afirmou.
Durante a conversa, Joaquim de Almeida criticou a atuação de Donald Trump, considerando que o presidente está a desrespeitar os princípios democráticos e a Constituição norte-americana. "Neste momento, ele está a abusar, está a sair fora dos parâmetros da democracia. Ele está a fazer guerras sem o sim do Congresso", declarou, defendendo a importância de garantir um maior controlo institucional sobre o poder político.
As preocupações do ator estendem-se à Europa, nomeadamente à falta de respostas para a crise da habitação. Em Portugal, considera que existe uma quebra de confiança no Governo AD, enquanto em Espanha aponta a insatisfação da população perante a ausência de soluções para o acesso à habitação. "Em Portugal, as pessoas não acreditam muito no Governo que têm. E em Espanha está tudo na rua – não se fez o que se devia ter feito em relação à habitação", observou.
O futuro das novas gerações é outra das questões que mais o inquietam. Para Joaquim de Almeida, as dificuldades no acesso ao emprego e à habitação comprometem as perspetivas dos mais jovens e tornam mais difícil construir uma vida estável. "Sei que temos de fazer um esforço maior para que os nossos jovens tenham um futuro, porque está muito negro", sublinhou.
Apesar de ter nacionalidade americana e de ter construído grande parte da carreira internacional nos Estados Unidos, o ator garante que nunca perdeu a ligação a Portugal. "É bom não perder o sentido de quem somos na realidade. Apesar de ter um passaporte americano, nunca deixei de me sentir português", afirmou, defendendo a importância de preservar a identidade mesmo quando se vive noutro país.
Joaquim de Almeida falou também sobre os desafios do cinema português, considerando que a falta de financiamento continua a limitar a produção nacional e a levar muitos profissionais a procurar oportunidades no estrangeiro. "Continuamos a ser um país onde não há dinheiro para fazer cinema e cinema não se faz sem dinheiro", lamentou, embora tenha elogiado o talento dos atores mais jovens e a sua capacidade de trabalhar em mercados internacionais.
A entrevista abordou ainda o impacto da Inteligência Artificial nas artes. O ator alertou para os riscos que esta tecnologia representa para escritores, atores e outros profissionais, sobretudo perante a possibilidade de substituir trabalhadores. Apesar de reconhecer que é necessário aprender a lidar com estas ferramentas, defende uma utilização cautelosa: "Temos de lidar com ela. Está cá, não há nada a fazer."

















