Donald Trump voltou a admitir publicamente a hipótese de um terceiro mandato na Casa Branca, apesar de a Constituição norte-americana o proibir. O presidente afirmou ontem, dia 22, acreditar que tem o “direito de voltar a candidatar-se”, ainda que tenha reconhecido que a Constituição parece impedi-lo.

As declarações foram feitas num comício de campanha no Iowa, a poucos dias das eleições intercalares. “Não sei quem vai ser o vosso próximo presidente”, disse Trump, acrescentando: “Acho que a lei diz (não tenho 100% de certeza) que não posso voltar a candidatar-me.”

O presidente garantiu ter estudado a redação do texto constitucional, que considerou bastante sucinta e com pouca margem de manobra. Logo a seguir, porém, encontrou uma exceção à medida: “Há uma coisa diferente: roubaram-nos a segunda, porque ganhámos três vezes.” E concluiu: “Acho que tenho o direito de voltar a candidatar-me porque eles fizeram batota”, repetindo a alegação falsa de que as presidenciais de 2020 lhe foram roubadas. Trump perdeu essas eleições para Joe Biden.

A 22.ª Emenda à Constituição dos EUA limita a apenas duas, as vezes que uma pessoa pode ser eleita presidente. Foi ratificada em 1951, seis anos depois da morte de Franklin Delano Roosevelt, que morreu poucos meses depois de iniciar o quarto mandato.

As palavras de ontem contrastam com as de agosto, quando Trump disse aos jornalistas: “Adorava candidatar-me, mas a lei é muito forte.” Desta vez, foi mais longe, apresentando uma justificação concreta para considerar que lhe deve ser permitido concorrer de novo.

O tema é recorrente. Trump tem publicado mensagens sobre uma nova campanha, usado bonés com “2028” e vem discutindo formas de o concretizar. Em março do ano passado, disse “não estou a brincar” quando questionado sobre se queria outro mandato e afirmou à NBC que existem métodos que poderiam ser usados para o conseguir. Em vários momentos, no entanto, também excluiu taxativamente essa possibilidade.

Analistas apontam uma leitura mais prosaica: a referência a 2028 poderá servir para afastar o foco da perda de influência que costuma atingir os presidentes na reta final do segundo mandato.

O presidente, de 80 anos, discursou numa altura em que os norte-americanos se preparam para votar, a 3 de novembro, nas eleições que vão decidir quem controla o Congresso nos últimos dois anos da presidência Trump.