Portugal e outros 11 países da União Europeia vão libertar 42,6 milhões de barris de petróleo das suas reservas estratégicas até ao final de janeiro de 2027. A medida pretende aliviar a pressão sobre os mercados energéticos, numa altura em que a subida dos preços dos combustíveis preocupa governos e famílias europeias.

Do total previsto, 20,5 milhões de barris correspondem a gasóleo. A decisão surge na sequência de um compromisso assumido no âmbito do G7, que prevê a disponibilização de petróleo bruto e combustíveis armazenados para reforçar a oferta nos próximos meses.

“Estamos a fazer tudo o que podemos para estabilizar os mercados do gasóleo à medida que o inverno se aproxima”, afirmou o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, após uma reunião dos ministros da Energia da União Europeia, no Luxemburgo.

A crise energética tem sido agravada pela guerra no Irão e pelas tensões geopolíticas, que contribuíram para uma forte subida dos preços. Em vários países da União Europeia, o litro de gasóleo já ultrapassou os 2,30 euros, aumentando a pressão sobre os consumidores e os setores económicos mais dependentes dos combustíveis.

No início de outubro, os países do G7 acordaram uma libertação coordenada de até 100 milhões de barris de petróleo bruto e gasóleo ao longo de quatro meses. A iniciativa, acompanhada pela Agência Internacional de Energia (AIE), pretende responder às dificuldades no abastecimento e atenuar a pressão sobre os mercados.

Em Portugal, a EPCOL, associação que representa empresas do setor dos combustíveis, afirmou à agência Lusa não antecipar riscos iminentes de rutura no abastecimento durante o próximo inverno. A entidade reconheceu, contudo, a incerteza quanto à evolução dos preços, devido à situação internacional.

Segundo João Reis, porta-voz da associação, Portugal dispõe de condições para garantir a segurança do abastecimento, graças à capacidade de refinação nacional, às infraestruturas logísticas, às importações e às reservas estratégicas.

A Comissão Europeia acompanha também o impacto da crise no orçamento das famílias. Embora não antecipe, para já, problemas de segurança no abastecimento, Dan Jørgensen reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos que já têm problemas em pagar as despesas do dia a dia.

Além de Portugal, o compromisso envolve a Alemanha, França, Grécia, Dinamarca, Bélgica, Lituânia, Luxemburgo, Letónia, Suécia, Países Baixos e Itália. Os 12 países integram a Agência Internacional de Energia, que também apelou à aceleração da libertação das reservas antes do inverno.

Apesar da dimensão da medida, a disponibilização de petróleo não garante uma descida imediata dos preços nos postos de abastecimento. A evolução dos combustíveis continuará dependente das condições do mercado internacional, da oferta e da procura e dos desenvolvimentos geopolíticos.