O sistema bancário angolano deve reforçar a sua ligação às empresas e assumir um papel mais ativo no financiamento dos sectores produtivos. A posição é defendida pelo presidente da Deloitte Angola, José Barata, para quem a diversificação da economia dificilmente será concretizada sem uma banca capaz de apoiar o investimento privado.
Apesar dos progressos registados nas últimas duas décadas, com o reforço da supervisão, da capitalização e da digitalização, continuam a existir obstáculos que dificultam o acesso ao crédito. A informalidade da economia, a fragilidade da informação financeira apresentada pelas empresas, a escassez de garantias e o elevado volume de recursos aplicados em dívida pública estão entre os principais constrangimentos.
José Barata considera que a banca angolana está a entrar numa nova fase de maturidade. A expansão dos pagamentos digitais, a crescente utilização da inteligência artificial e o sucesso de soluções como o Multicaixa Express demonstram a capacidade de adaptação dos consumidores e das instituições financeiras.
O desafio passa agora por transformar essa evolução tecnológica em maior inclusão financeira e numa mobilização mais eficaz das poupanças para o investimento. Agricultura, indústria transformadora, exportações, infraestruturas e pequenas e médias empresas deverão estar no centro dessa estratégia.
O futuro do sector dependerá também da capacidade de conciliar prudência e inovação, rentabilidade e impacto económico, reforçando simultaneamente a cibersegurança, a governação e os mecanismos de prevenção do branqueamento de capitais. Uma banca sólida, mas próxima das empresas, será decisiva para reduzir a dependência do petróleo e garantir um crescimento mais sustentável.

















