O Governo norte-americano está a recorrer de forma crescente à recompra da própria dívida pública para tentar conter a subida dos juros de longo prazo. A estratégia é conduzida pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, que procura aumentar a procura por obrigações e estabilizar um mercado cada vez mais inquieto com o crescimento do endividamento federal.
A ironia política não passa despercebida: Bessent criticara a antiga secretária do Tesouro Janet Yellen por utilizar instrumentos semelhantes durante a administração Biden.
A pressão sobre os mercados obrigacionistas norte-americanos tem consequências mundiais. Quando os juros dos títulos dos Estados Unidos sobem, aumenta também o custo de financiamento de empresas e governos noutros países, ao mesmo tempo que capitais são atraídos para ativos em dólares.
O nervosismo já se refletiu também nos mercados brasileiros: investidores retiraram perto de 21 mil milhões de reais e o dólar valorizou-se face ao real.
A dívida americana está, assim, a transformar-se cada vez mais num risco que ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos.

















