José Eduardo Agualusa, de 65 anos, foi distinguido com o Prémio Iasnaia Poliana, pelo romance ‘Nação Crioula’, publicado originalmente em 1997. A obra, que já tinha conquistado o Grande Prémio de Literatura RTP em 1998, recebe agora um novo reconhecimento internacional através da sua tradução para russo, realizada por Varvara Makhortova.
Perante o reconhecimento, o escritor angolano manifestou satisfação por passar a integrar este grupo de escritores e destacou a importância dos tradutores na divulgação da literatura além-fronteiras. “É uma enorme honra juntar-me a esta ilustre companhia”, afirmou o autor, sublinhando que “os tradutores são grandes viajantes da literatura: levam os nossos livros a lugares onde, sem eles, nunca chegariam”.
O escritor deixou também uma mensagem dirigida aos leitores russos, defendendo o papel da literatura num contexto internacional marcado por divisões: “Num tempo de tantas divisões, é reconfortante lembrar que a literatura continua a construir pontes entre povos, línguas e culturas.”
Um romance entre Angola, Portugal e o Brasil
Publicado em 1997, ‘Nação Crioula’ acompanha a relação amorosa entre Carlos Fradique Mendes, personagem criada por Eça de Queirós, e Ana Olímpia Vaz de Caminha, uma mulher que nasceu escrava e se tornou uma das figuras mais ricas e influentes de Angola.
A narrativa decorre no final do século XIX e percorre cidades como Luanda, Lisboa, Paris e Rio de Janeiro. Ao longo da história, cruzam-se figuras ligadas ao movimento abolicionista, pessoas escravizadas, esclavagistas e outras personagens envolvidas nos conflitos e nas transformações sociais da época.
Na avaliação do júri do Prémio Iasnaia Poliana, o romance distingue-se pela forma como aborda temas complexos, como a memória, o destino humano e a influência da História sobre a vida individual, mantendo uma escrita descrita como luminosa e quase festiva.
Os jurados consideraram ainda que a obra constitui um exemplo raro de narrativa sem artifícios forçados, destacando Agualusa como “um escritor extraordinário”.
O reconhecimento de ‘Nação Crioula’ surge numa altura em que o escritor se prepara para lançar um novo título. ‘A Arte da Deriva’ tem chegada às livrarias prevista para novembro pela editora Quetzal.

















