Economistas angolanos defendem que o Banco Nacional de Angola dispõe de margem para voltar a reduzir a sua taxa diretora, atualmente fixada em 15,75%. A descida da inflação para 8,78% reforçou as expectativas em torno da 131.ª reunião do Comité de Política Monetária, embora os especialistas recomendem prudência.
Na reunião anterior, o BNA reduziu a taxa de 17% para 15,75%, realizando um corte de 1,25 pontos percentuais. Entre as propostas agora apresentadas encontram-se reduções para 15,25% ou 15%, níveis considerados suficientes para manter o ciclo de flexibilização sem abandonar a estabilidade cambial e o controlo dos preços.
A diferença entre a taxa diretora e a inflação continua próxima de sete pontos percentuais, oferecendo margem para uma decisão moderada. Persistem, no entanto, riscos relacionados com o preço dos alimentos, o comportamento do kwanza, os custos logísticos, a energia, o petróleo e eventuais choques externos ou orçamentais.
Os economistas alertam ainda que baixar a taxa do BNA não significa automaticamente crédito mais barato. A transmissão das decisões monetárias às taxas cobradas pelos bancos continua incompleta e varia consoante os prazos, as garantias apresentadas e o risco atribuído a cada cliente.
O sucesso de um novo corte dependerá, por isso, da sua chegada às pequenas e médias empresas e às famílias solventes. Se os bancos mantiverem taxas ativas elevadas, a flexibilização terá impacto limitado no investimento, na produção e no consumo. O desafio não é apenas reduzir os juros oficiais, mas transformar a estabilidade monetária em financiamento da economia real.

















