O júri do julgamento de Lindsay Clancy, de 36 anos, acusada de matar os três filhos em casa, não conseguiu chegar a uma decisão unânime esta terça-feira, dia 1, após várias horas de deliberação. "Após muitas horas de deliberação, não conseguimos chegar a uma decisão unânime”, comunicou um dos 12 jurados ao juiz William Sullivan. O impasse surgiu ao quarto dia de deliberações, depois de um julgamento que se prolongou por seis semanas e contou com o testemunho de mais de 80 pessoas.

O caso remonta a 24 de janeiro de 2023, em Duxbury, Massachusetts, quando Lindsay Clancy, a sofrer de depressão e com a defesa a alegar um surto de psicose pós-parto, aproveitou uma saída de 25 minutos do marido para estrangular os três filhos: Cora (5), Dawson (3) e Callan (8 meses). Após o ato, a antiga enfermeira saltou de uma janela do segundo andar, sofrendo lesões na coluna que a deixaram paraplégica.

Enquanto a acusação sustentou que o crime foi premeditado devido ao planeamento e ao aproveitamento da ausência do marido, a defesa alegou um surto de psicose pós-parto e depressão severa, argumentando que a acusada agiu sob alucinações e sob o efeito de medicação psiquiátrica, sem capacidade para distinguir o certo do errado.

Perante a falta de consenso, o juiz pediu aos jurados que regressassem esta quarta-feira (2) à sala para uma nova ronda de deliberações. A decisão poderá passar pela condenação por homicídio em primeiro ou segundo grau, por homicídio culposo ou pela absolvição por motivos relacionados com a saúde mental. Neste último cenário, Clancy poderá ser internada numa instituição de saúde mental.

Caso o júri volte a não conseguir alcançar uma decisão unânime, o julgamento poderá ser declarado nulo. Nesse cenário, o processo regressará praticamente ao ponto de partida e os procuradores poderão decidir avançar para um novo julgamento, desta vez com outro júri. Também existe a possibilidade de acusação e defesa chegarem a um acordo judicial que evite uma nova ida a tribunal.

Há ainda uma hipótese menos provável: o Ministério Público pode optar por não avançar com um novo julgamento. O advogado Brad Bailey explicou que os custos elevados associados a um processo desta dimensão, nomeadamente com peritos, podem pesar nessa decisão. Enquanto aguarda a resolução do caso, Clancy permanece internada num hospital psiquiátrico. Se for considerada criminalmente responsável, poderá enfrentar uma pena de prisão perpétua; se for absolvida por razões de saúde mental, poderá permanecer internada.

Lindsay Clancy conta com o apoio expressivo de milhares de mulheres, nomeadamente outras mães, profissionais de saúde e membros da comunidade. A sua causa mobilizou uma forte onda de solidariedade online, traduzida em cartas enviadas ao tribunal e angariações de fundos, com os apoiantes a defenderem que o trágico acontecimento foi resultado de uma grave falha do sistema de saúde mental e de uma psicose pós-parto avassaladora, e não de uma intenção criminosa.