As lágrimas de Tiago Oliveira, de 43 anos, tornaram-se esta sexta-feira, dia 19, uma das imagens mais marcantes do chumbo do pacote laboral do Governo na Assembleia da República. Nas galerias do hemiciclo de São Bento, o secretário-geral da CGTP não conseguiu esconder a emoção quando ficou confirmada a rejeição do diploma, resultado que a central sindical reclamou como uma vitória da mobilização dos trabalhadores, ao longo dos últimos 11 meses.
Visivelmente comovido, Tiago Oliveira assistiu ao desfecho de uma batalha política e sindical que marcou a agenda laboral, desde o verão passado. Depois de greves, manifestações e concentrações contra a proposta governamental, o líder da Intersindical atribuiu o resultado da votação à pressão exercida pelos trabalhadores.
"Foi a luta dos trabalhadores que determinou este desfecho", afirmou, pouco depois do chumbo parlamentar. "São 11 meses de luta! Quero dar aqui uma saudação muito grande àquilo que foi o papel de luta determinante que os trabalhadores desenvolveram ao longo destes 11 meses. Foram os trabalhadores que foram essenciais em todo este percurso!"
O secretário-geral da CGTP foi mais longe e considerou que a mobilização social condicionou diretamente o sentido de voto dos partidos que acabaram por rejeitar a iniciativa do Governo: "Foram os trabalhadores a chave que determinou o posicionamento de todos os partidos políticos que hoje votaram contra este pacote laboral. Votaram os partidos, mas não tínhamos uma única dúvida. Votaram condicionados pela luta dos trabalhadores."
Ao longo dos últimos meses, Tiago Oliveira classificou repetidamente o pacote laboral como "um assalto aos direitos dos trabalhadores" e prometeu que a CGTP tudo faria para o derrotar. Conseguiu.

















