A CGTP acusou o Governo de tentar desvalorizar o impacto da greve geral, esta quarta-feira, dia 3, e insistiu que a revisão da lei laboral representa "um assalto às vidas dos trabalhadores", rejeitando os dados oficiais sobre a adesão à paralisação.
No primeiro balanço da jornada, o secretário-geral da central, Tiago Oliveira, contrapôs à leitura do executivo da AD – segundo a qual o País continuava a funcionar com relativa normalidade – uma avaliação de forte perturbação em setores-chave, como transportes, escolas, saúde e aeroportos.
A resposta da CGTP surge depois de a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, ter afirmado que a adesão no setor privado era baixa e que a economia mantinha atividade significativa, apesar dos efeitos visíveis da greve. A central sindical contesta essa leitura e sustenta que o impacto da paralisação mostra uma rejeição clara ao pacote laboral do Governo, que altera mais de uma centena de artigos do Código do Trabalho.
No centro do conflito está a proposta de revisão laboral apresentada pelo executivo minoritário de centro-direita, que a CGTP acusa de agravar a precariedade, facilitar despedimentos, desregular horários e enfraquecer direitos ligados à greve e à proteção parental. Em maio, a central já exigira a retirada integral do diploma, classificando-o como "um autêntico assalto aos direitos dos trabalhadores"; agora, em dia de greve geral, endureceu o discurso e passou a falar num ataque direto às próprias condições de vida de quem trabalha.
A greve desta quarta-feira é a segunda geral em seis meses convocada pela CGTP contra a reforma laboral e volta a expor a rutura entre o Governo e a principal central sindical portuguesa. Para Tiago Oliveira, o objetivo mantém-se: travar no Parlamento um pacote que considera profundamente lesivo para os trabalhadores. Para Luís Montenegro e companhia, trata-se de uma reforma necessária para aumentar produtividade e crescimento.

















