A três anos das próximas eleições autárquicas, a guerra pela Câmara de Lisboa já começou dentro do PS. E a entrada de Álvaro Beleza nas contas socialistas surge como uma tentativa da ala mais moderada dos socialistas de criar uma alternativa ao regresso do chamado ‘costismo’ ao comando da maior autarquia do país, perante o avanço nos bastidores do nome de Pedro Siza Vieira. Questionado sobre a hipótese, o médico e dirigente socialista não fechou a porta, garantindo nunca ter pensado numa candidatura, mas afirmando que “nunca se pode dizer nunca”.

A movimentação ganha especial significado porque acontece quando Siza Vieira começa a surgir como uma das soluções preferidas por setores das estruturas socialistas da capital. Antigo ministro da Economia de António Costa e figura próxima do universo político do ex-primeiro-ministro, Siza representa, para os seus críticos internos, precisamente o regresso de uma geração que dominou durante anos o PS e a própria Câmara de Lisboa.

É neste contexto que Beleza pode transformar-se num candidato de contraponto. Historicamente ligado à ala mais moderada do partido, próximo de António José Seguro e com capacidade de diálogo muito para além das fronteiras tradicionais do eleitorado socialista, quem defende a candidatura o presidente da SEDES , defende que Beleza oferece um perfil substancialmente diferente, isto apesar de ainda, nas eleições de 2024, ter surgido como fervoroso apoiante de Pedro Nuno Santos, de quem foi mesmo mandatário nacional.

Costa vs. Seguro

Por trás desta movimentação está também uma questão de poder interno. Lisboa foi a plataforma que permitiu a António Costa desafiar António José Seguro em 2014, conquistar a liderança socialista e posteriormente chegar a primeiro-ministro. Recuperar a Câmara representa, por isso, muito mais do que ganhar a maior autarquia portuguesa: significa controlar uma das principais bases políticas do país.

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O universo político associado a Costa continua a possuir nomes com peso em Lisboa. Duarte Cordeiro, antigo presidente da FAUL, vice-presidente da Câmara e ministro de António Costa, conserva “largos apoios” dentro do partido. Alexandra Leitão, candidata derrotada em 2025, permanece igualmente no tabuleiro, apesar da sua recente ‘colagem’ ao Bloco de Esquerda, quando aceitou participar na ‘reentré’ daquele partido, enquanto André Moz Caldas é outro nome referido nos bastidores.

A possível candidatura de Beleza deve, contudo, ser tratada ainda como aquilo que é: uma movimentação política e não uma decisão do PS. Também não são conhecidos publicamente os dirigentes que estão a impulsionar o seu nome, ainda que há quem garanta que José Luís Carneiro poderia ver com bons olhos um possível avanço de Beleza

A batalha socialista por Lisboa pode ainda não ter candidatos oficiais. Já tem, porém, campos políticos a começarem a definir-se. E, depois de perder a capital para Carlos Moedas, o PS arrisca-se a ter primeiro de decidir que partido quer levar a votos antes de descobrir quem consegue recuperar a Câmara.