A AfD venceu este domingo, 6 de setembro, as eleições regionais da Saxónia-Anhalt com cerca de 44,4% dos votos segundo as projeções (Hochrechnung), mais do dobro do resultado obtido há cinco anos e muito à frente da CDU, que caiu para cerca de 18%. Será a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido de extrema-direita fica em condições de liderar um governo regional na Alemanha. O ministro-presidente cessante, Sven Schulze (CDU) reconheceu a derrota. O cabeça de lista da AfD foi Ulrich Siegmund, de 35 anos.

Nascido a 25 de outubro de 1990 em Havelberg, Siegmund é deputado no Landtag da Saxónia-Anhalt desde 2016 e copreside a bancada da AfD, juntamente com Oliver Kirchner, desde agosto de 2022. Antes da política, formou-se como técnico de comércio grossista e externo, trabalhou em gestão comercial e como key account manager numa clínica oftalmológica em Berlim, e fez uma formação em gestão em Pequim, em 2015. Estudou entretanto psicologia económica e gestão de empresas, com uma tese sobre marketing olfativo (área em que criou a sua própria empresa) incluindo o projeto “Berlin duftet”, que se propunha perfumar estações de metro e comboio berlinenses.

Filiado inicialmente na CDU, aderiu à AfD e integra desde 2016 a direção regional do partido na Saxónia-Anhalt, além de ser membro da assembleia distrital (Kreistag) de Stendal. Em 2025 foi escolhido cabeça de lista da AfD para estas eleições, com 98,3% dos votos no congresso regional do partido.

A carreira de Siegmund tem sido marcada por polémicas. Em novembro de 2023 participou num encontro perto de Potsdam onde o extremista austríaco Martin Sellner apresentou um plano de “remigração” , que segundo reportagens envolveria deportações em massa, incluindo de cidadãos alemães de origem migrante considerados “não assimilados”. Na sequência da revelação do encontro, o Landtag da Saxónia-Anhalt destituiu-o, em fevereiro de 2024, da presidência da comissão parlamentar de Trabalho, Assuntos Sociais, Saúde e Igualdade, por 71 votos a favor e 21 contra. Siegmund manteve o lugar de deputado e a liderança da bancada, e classificou mais tarde o encontro como um simples “café-conversa”.

Este ano foi visado por acusações de nepotismo depois de se saber que o pai trabalha como assessor parlamentar de um colega de partido, alegadamente auferindo mais de 7.500 euros mensais. Siegmund defendeu publicamente a contratação de familiares e apoiantes do partido.

O Departamento Regional de Proteção da Constituição da Saxónia-Anhalt classificou, em novembro de 2023, a estrutura regional da AfD no estado como “esforço comprovadamente extremista de direita”, uma classificação atualmente contestada em tribunal. Em agosto de 2026, a revista Der Spiegel colocou-o na capa como “o homem mais perigoso da Alemanha”, um epíteto que Siegmund transformou em instrumento de campanha, autografando exemplares da revista.

Com mais de 400 mil seguidores no Instagram e mais de 760 mil no TikTok, Siegmund construiu uma imagem próxima e familiar, associada a conceitos como pátria, segurança e mudança. É casado, tem uma filha, e já afirmou que só pretende governar a Saxónia-Anhalt se a AfD tiver maioria absoluta.